Acreditem, é possível vencer! Nem mesmo os
maiores obstáculos podem impedir os obstinados. Aqueles que realmente
estão imbuídos de uma meta, atrás de objetivos claros e dispostos a suar
a camisa atingem o triunfo. Há inúmeras histórias de pessoas comuns,
como eu ou você que lê essas linhas nesse exato momento, que chegaram
lá porque se dispuseram a ousar, a estudar, a planejar suas carreiras e
vidas, a estruturar cada pequeno passo e a não demonstrar desânimo em
nenhum momento de suas jornadas.
“À Procura da Felicidade”, estrelado pelo astro
Will Smith e dirigido por Gabriele Muccino, nos coloca em contato com
uma valiosa história de superação humana. Num cenário que poderia ser
qualificado por muitos como um dos piores possíveis, um jovem pai aposta
todas as suas fichas e cada um dos seus minguados centavos na
concretização de um novo projeto profissional. Na esteira de tudo isso,
abandonado pela esposa e assumindo plenamente suas responsabilidades
paternas, o personagem come, literalmente, o “pão que o diabo amassou”
para concretizar seus sonhos.
E o que podemos tirar de cada fotograma como
experiência ou lição para nossas vidas? Muitas coisas. Por exemplo, que
aprendemos tanto com os bons quanto com os maus acontecimentos de
nossas existências. A decisão de ficar com seu filho de 5 ou 6 anos,
contrariando as expectativas e a própria lei, demonstra o quanto a
amarga experiência de ter sido abandonando ainda criança por seu pai
marcaram o protagonista do filme, vivido por Smith.
Uma de suas falas/pensamentos indica com clareza
o fato e demonstra que, sejam quais forem as dificuldades ou problemas
que enfrente, a paternidade não é e jamais será vista ou entendida
como empecilho ou drama pelo personagem. Isso abre espaço para mais uma
importante consideração, ou seja, a de que a família, tão pouco
considerada e valorizada ultimamente é, com certeza, a célula-mater da
sociedade e uma das garantias para o desenvolvimento saudável (em todos
os sentidos) de pais e filhos.
Isso também é perceptível com facilidade ao
longo do filme quando vemos que, mesmo quando o dinheiro é curtíssimo
ou inexistente, ainda que não exista um teto ou comida no prato, a
presença e a troca de afeto entre pai e filho garantem tanto para o mais
velho quanto para o mais novo, alguma sensação de segurança e de
estabilidade.
Essas são apenas lições paralelas ao tema
principal do filme, mas que não apenas alimentam a trama (baseada em
fatos reais), como também nos levam a crer o quão fidedignos e
verdadeiros nos parecem todos os acontecimentos ali descritos. A
riqueza da história também reside no fato de que nos identificamos com
os personagens e sabemos que tudo aquilo poderia acontecer com qualquer
um de nós.
O fio principal que conduz a película é, no
entanto, a capacidade de superação, a garra, a fibra e todo o empenho
demonstrados pelo personagem de Smith para conseguir atingir seus
objetivos profissionais. Uma carreira e não um emprego é o que busca o
protagonista e, creiam, há uma diferença muito grande entre ambos. Para
entender melhor o que quero dizer com isso, ouse assistir e se
emocionar com essa bela história da vida real e, como muitos
espectadores, passe a acreditar e lutar você também pelos seus
sonhos...
O Filme
Vender scanners portáteis que realizam vários
exames médicos em hospitais pareceu para Chris Gardner (Will Smith,
indicado ao Oscar por sua interpretação) e sua esposa Linda (Thandie
Newton) um ótimo negócio. Por esse motivo o casal investiu todas as suas
economias na aquisição de várias unidades do aparelho e Chris
tornou-se vendedor.
Batia de hospital em hospital, visitava
clínicas, tentava negociar o equipamento com administradores
hospitalares e médicos todos os dias, sem jamais demonstrar cansaço ou
desânimo, ainda que os resultados obtidos fossem muito ruins...
Passaram-se alguns longos e penosos meses durante os quais Gardner não
conseguiu negociar nenhum equipamento. Com isso o dinheiro ficou cada
vez mais curto e as contas foram se acumulando: o aluguel, impostos, a
água, o telefone, a gasolina,...
O salário de sua esposa era baixo e somente
pagava aquilo que era mais imediato. A paciência dela também era curta
e, depois de algum tempo, se esgotou completamente. Veio a separação e o
abandono do lar pela jovem, em busca de uma melhor perspectiva de
vida, que não via ao lado do marido, a quem considerava um perdedor...
Mas a família não se restringia aos dois...
Entre eles havia ainda o pequeno Christopher (Jaden Smith, filho de
Will Smith na vida real) e suas necessidades, como a creche, a
alimentação, as roupas, a higiene, a saúde,... A mãe até quis levar o
garoto de 5 ou 6 anos com ela, mas do menino o pai não abriu mão,
apesar das dificuldades que a vida lhe apresentava...
A gota d’água para a separação foi a decisão de
Chris de tentar uma nova profissão. Queria tornar-se corretor na bolsa
de valores, trabalhar numa boa corretora e, como alguns profissionais da
área que tivera a oportunidade de observar, ganhar algum dinheiro,
segurança e estabilidade.
Nada demais num belo sonho como esse, não acham?
Só que para que isso pudesse acontecer, Chris teria que se tornar
estagiário de uma firma durante 3 meses, sem qualquer remuneração ou
garantia de que poderia ficar com o emprego ao final, posição
profissional que estaria disputando com mais algumas dezenas de
candidatos... Se não bastasse isso, sem dinheiro, prestes a ser
despejado pelo seu senhorio, tendo seu filho a tiracolo e com seu carro
tendo sido apreendido pelas autoridades, assim como o que ainda
restava de seu saldo bancário, cabia o questionamento: Como encontrar a
felicidade?
Para Refletir
1- As escolas atualmente respondem por inúmeras
funções além daquelas relativas ao processo de ensino-aprendizagem.
Professores tornaram-se psicólogos, tutores, orientadores
profissionais, conselheiros, amigos e, muitas vezes, acabam até mesmo
substituindo os próprios pais, tão ausentes na vida e na formação de
seus filhos. As famílias precisam se reinventar, aconchegar-se
novamente, integrar-se como até algum tempo atrás percebíamos, querer
estar unida e junta, regozijar-se em seus encontros e reuniões. Base da
sociedade, perdeu os elos que a reuniam, hoje se resume, em muitos
casos, a um aglomerado de pessoas que dividem o mesmo teto por
possuírem co-sanguineidade e alguns laços materiais a uni-las. Onde
está o amor dos pais pelos filhos (e vice-versa)?
2- Ao abordar a diferença entre emprego e
carreira percebida no filme “À Procura da Felicidade”, gostaria de dar
alguma luz principalmente aos próprios professores. Nossa realidade
profissional não é aquela que almejamos e muitas vezes, por conta disso,
cruzamos os braços e nos recusamos a fazer mais do que o básico. Dessa
forma acabamos entrando num círculo vicioso que nos compele a sempre
ficar por baixo, sem alternativas reais de crescimento, de
implementação. A superação desse nefasto quadro passa, necessariamente,
pela própria consciência que devemos ter quanto ao que pensamos,
queremos e realizamos em educação. Muitas vezes acreditamos que os
esforços que fazemos são invisíveis aos olhos das demais pessoas, mas
isso não é verdade. Se através de nossas ações transformamos e agimos
com coração e fé, respaldados pelo estudo, pela criatividade e pela
ousadia, havemos de triunfar, como o personagem do filme... (E, diga-se
de passagem, isso é valido não só para a educação, como também para
qualquer campo de atuação humana).
3- Penso que diariamente somos bombardeados pela
mídia com inúmeras notícias ruins. Guerras, violência urbana,
devastação ambiental, corrupção, má gestão dos recursos públicos,
conduta mais do que inadequada de autoridades ou figuras públicas,...
As notícias boas e os exemplos de realização pessoal e profissional,
por outro lado, raramente ganham menções ou espaços na televisão, nos
rádios, na internet ou em jornais e revistas. E não estou falando
apenas de celebridades, grandes empresários, conhecidos cientistas,
notórios filantropos,... Há grandes exemplos muito próximos de cada um
de nós, em nossas cidades, nos bairros em que vivemos,... Que tal
propor aos estudantes que busquem outras histórias de sucesso e vitória
como a do filme “À Procura da Felicidade”?
Ficha Técnica
À Procura da Felicidade
(The Pursuit of Happiness)
País/Ano de produção: Estados Unidos, 2006
Duração/Gênero: 117 min., Drama
Direção de Gabriele Muccino
Roteiro de Steve Conrad
Elenco: Will Smith, Jaden Smith, Thandie Newton, Brian Howe, James Karen, Dan Castellaneta, Kurt Fuller, Takayo Fischer, Domenic Bove, Scott Klace.
(The Pursuit of Happiness)
País/Ano de produção: Estados Unidos, 2006
Duração/Gênero: 117 min., Drama
Direção de Gabriele Muccino
Roteiro de Steve Conrad
Elenco: Will Smith, Jaden Smith, Thandie Newton, Brian Howe, James Karen, Dan Castellaneta, Kurt Fuller, Takayo Fischer, Domenic Bove, Scott Klace.
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